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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Momento

... à amiga Meire força e serenidade para mais esta travessia...

Rua Líbero Badaró, s.d.
Crédito: Eduardo Simões



O vento corta os seres pelo meio.
Só um desejo de nitidez amapra o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.


Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranhacéis, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo o céu, paz e alguma primavera.




ANDRADE, Mário de, 1893-1945. Melhores poemas de Mário de Andrade /
Seleção de Gilda de Mello e Souza. - 7 ed. - São Paulo: Global, 2003.

Um comentário:

Eliéser Baco disse...

Basta um segundo de momento para o vento enraizar arte nos peitos inacabados.

E Mário de Andrade, de talento fulgurante, aquece com seus versos mesmo ante a solidão cosmopolita.