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segunda-feira, 20 de abril de 2009

O órgão (re)produtor textual

Houve um tempo em que dedicava horas pensando em assuntos que poderia dissertar. Não que hoje seja diferente, mas percebi que a escrita assim como o sangue esta dentro de nós e percorre todas as áreas de nossos corpos. Sim meu leitor, a vontade de transpor em papel as inusitadas temáticas, surge dos mais inusitados lugares. Peço a vossa senhoria que se colocou na leitura deste texto que não me abandone aos risos, pois, esta idéia tem lá suas verdades...
Seguindo aleatoriamente, começarei dizendo daquelas pessoas que escrevem predominantemente com os intestinos; esses sujeitos são muito característicos, tem um grande potencial de absorção de informações, porém na hora de compartilhar tal capacidade, acabam por excretar os resíduos menos satisfatórios, frustrando o pobre leitor.
Por falar em excretores, existem aqueles que são rins por excelência, indivíduos de pequena relevância, mas se destacam pela produção de dejetos sem valor para eles próprios.
Há também o que eu chamaria de produtores - estomago, que por sua vez pré-digerem outros textos, fazendo seu exercício de interpretação, deixando aos demais, apenas a sua visão dos fatos.
Entretanto, existem autores que fazem a diferença e entre eles, agrada-me muito uma variedade de escritores que trabalham como artérias, propagando discussões e assuntos de grande valor, fazendo com que todos tomem ciência do que esta sendo tratado. Este grupo, esta associado a uma seleta classe – os que produzem com o Coração – por sua posição de destaque, são os precursores dos trabalhos “bombeados” pelos artérias.
Temos ainda sujeitos preocupados em trazer ares amenos ao nosso dia-a-dia, oxigenando nossas almas com suas belas palavras, incorporando com sabedoria a função pulmonar.
Por fim, gostaria apresentar a variedade neurônio de elaboradores textuais, estes são responsáveis pela condução dos impulsos, ou seja, de suas mãos é que surgem os textos mais derramados e subjetivos, estimulados por seus sentimentos.
Vale lembrar que apresentei algumas tendências predominantes, observadas por mim. Mas há quem, em dias de confusão, deixa ora um, ora outro órgão prevalecer, o importante é termos inteligência suficiente para separarmos joio do trigo. Contudo, estaríamos abandonando a discussão anatômica, para adotar algo mais complexo as ciências cognitivas... E olha que eu comecei todo esse imbróglio falando sobre minha preocupação com o ato de escrever...


Vanessa Rodrigues

Um comentário:

Eliéser Baco disse...

Não sei se foi um Aedo que surgiu daquela sombra a buscar lira que permeava tão seus olhos... ou se foi o próprio Joaquim Maria acenou do Olimpo em direção ao seus passos. Visto que a forma e a coerência, e o talento e substância do que diz em palavras e frases...